Depois de lançar Memórias Póstumas, Jão também falou pela primeira vez, com mais profundidade, sobre tudo o que viveu durante o hiato e o processo de criação do álbum.
Em entrevista ao jornal O GLOBO, o cantor contou que o afastamento dos holofotes foi necessário, mas que chegou um momento em que sentiu que precisava voltar.
“Eu precisava sair; depois, tive que sair. Voltei porque tinha muita coisa para falar e minha maneira de me comunicar é essa.”
Jão
Segundo Jão, o disco nasceu justamente desse período de silêncio. Durante a pausa, ele enfrentou a perda do pai, Carlos Alberto Balbino, que faleceu em junho de 2025. O artista conta que a experiência mudou completamente sua forma de enxergar a vida e acabou se tornando uma das bases emocionais de Memórias Póstumas.
Ele explica que quis retratar o luto de uma forma real, longe da ideia de que grandes perdas acontecem apenas em momentos extraordinários.
“Quando a gente imagina a morte, imagina uma guerra. E ela acontece num dia de sol.”
Jão
Jão também revelou que o álbum fala muito sobre encontrar significado nas pequenas coisas do cotidiano. Um dos momentos que mais o marcou foi perceber que o pai realizou um sonho, construir uma casa, mas conseguiu viver nela por apenas 15 dias.
“Fiquei com isso na cabeça, de que nada significava nada. Depois percebi que somos nós que damos significado às coisas.”
Jão
Além do luto, Memórias Póstumas também é atravessado pelo amor. Durante a conversa, Jão falou sobre sua relação com Pedro Tófani, parceiro de vida e também de criação. Das 14 faixas do álbum, nove foram compostas pelos dois juntos, enquanto “João” foi escrita exclusivamente por Pedro.
Para o cantor, o relacionamento nunca foi baseado em um ideal romântico, mas em construção diária.
“O amor é construído. O dia a dia é construído. Não é mágico.”
Jão
Outro momento que chamou atenção foi quando Jão falou sobre Marisa Monte. Mesmo sendo um dos maiores nomes da música brasileira atualmente, ele confessou que ainda não teria coragem de convidá-la para uma parceria.
Segundo o cantor, o álbum Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, lançado por Marisa em 2000, foi o primeiro disco de sua vida e continua sendo uma grande inspiração.
No fim da entrevista, Jão também comentou sobre a relação com os fãs. Ele disse que sempre soube que, ao escrever músicas tão pessoais, abriria espaço para que o público criasse conexões profundas com suas histórias.
“Sei muito bem onde estou me metendo. Quem são eles. E eles sabem bem quem sou.”
Jão
A declaração faz ainda mais sentido depois da mobilização em torno de Memórias Póstumas. A audição do álbum reuniu milhares de fãs no Vale do Anhangabaú, e os ingressos gratuitos esgotaram em apenas 39 segundos.
Sobre uma possível turnê, Jão preferiu não dar detalhes. Disse apenas que está respeitando seu próprio tempo e que tudo acontecerá no momento certo.